Virou cultural ter dívidas. As pessoas nem conseguem imaginar comprar um carro ou casa sem pegar algum tipo de crédito ou ter uma vida sem ter um boleto para pagar. Já ouviu “não conseguimos ter nada na vida sem fazer dívida”? Esqueça isso e ouça as pessoas ricas, não as que tem dívidas. Ouça as pessoas que tem resultados. E se prepara, porque essa luta contra as dívidas nem sempre vai ter apoio das pessoas mais próximas. Foque no resultado: estar bem, ter dinheiro, liberdade, paz financeira. Atingir a sua meta vai ser sua motivação. A ideia é ter um estilo minimalista agora, para ter muito mais no longo prazo. Vamos ao passo a passo que vai te dar forças para vencer as dívidas: Passo 1) Melhore suas decisões financeiras. Na maioria dos casos, as dívidas surgem por gastos desequilibrados, mau escolhidos. Falta de dinheiro é resultado das escolhas inconscientes que você tomou até agora. Ou seja, não são as contas da casa que geram uma dívida: o dinheiro falta geralmente por pequenas escolhas ruins. Um exemplo disso é o estoque. É um hábito adquirido na época de altíssima inflação. Porém, estoque é dinheiro parado. Aí tem um monte de coisa dentro de casa, mas falta 100 reais pra pagar a conta de luz. Vamos a um exercício para te ajudar nisso: Faça um inventário, listando tudo que você possui em casa, por setor: • Comida • Produtos de limpeza • Produtos de higiene Faça uma análise de consumo médio semanal, pois o ideal é que as compras sejam feitas semanalmente. Resumindo, priorize o que é mais urgente, se perguntando antes de fazer uma compra: Quero realmente isso? Preciso mesmo disso? Posso comprar sem prejudicar meus objetivos? Devo realmente comprar isso agora? E só então, faça um compra consciente. 2) Planeje as suas refeições para evitar desperdícios. Lembre-se: Comida que vai para o lixo é dinheiro que vai para o lixo! O gasto com alimentação, dentro e fora de casa, costuma ser o maior dos gastos variáveis. Portanto, planejar estes gastos vai com certeza te trazer uma economia, além de muitas vezes te ajudar a se alimentar melhor, fugindo de compras por aplicativos, “fast foods” ou “junk foods” na rua por conta de não levar um lanche saudável para o trabalho. Ao contrário do que a maioria das pessoas pensam, se alimentar bem é mais barato do que parece. Busque uma alimentação variada, rica em alimentos in natura ou minimamente processados. O Ministério da Saúde disponibiliza um guia alimentar muito claro e completo, que você encontra gratuito neste link: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf Dica extra: nunca vá com fome ao supermercado. 3) Evite novos parcelamentos, a menos que sejam uma forma de ganhar mais dinheiro. Virou costume fazer compras parceladas, mas isso deixa você sujeito às incertezas do futuro. Casamento de um amigo, eletrodoméstico que pifou, ajudar a família, problema de saúde que seu plano de saúde não cobre, viagem de última hora, demissão que não imaginava, uma pandemia que muda todo o cenário mundial. Aí as coisas vão acontecendo e você não deixa margem para uma reserva, para investir na aposentadoria, para realizar objetivos maiores. Então vamos parar de parcelar blusinhas em 10 vezes! É importante deixar claro que existem parcelamentos que fazem sentido. Por exemplo: comprar um carro para fazer uma segunda fonte de renda, comprar uma máquina para montar um negócio próprio que você fez um planejamento, que estudou e sabe que vai ser lucrativo, comprar um curso que vai te ajudar de alguma maneira a se capacitar, te ensinando uma nova habilidade para ganhar mais dinheiro, tudo isso são investimentos para melhorar a sua vida e trazer formas de aumentar sua receita. É um processo que chamamos de alavancagem. Também é importante dizer que, apesar de o cartão de crédito ter muitos benefícios, não são todas as pessoas que deveriam usar, pois fazem compras por compensação emocional. Use com sabedoria, e apenas se não tem dívida e tem uma boa reserva de emergência. Além disso, só pode gastar se já tem dinheiro para pagar aquilo além da reserva. Se comprometer com algo a pagar no futuro sendo que você ainda não tem resulta em falta de flexibilidade no orçamento. 4) Dê um passo para trás para poder dar dois passos para frente. Se sua renda não está sendo suficiente para seu padrão de vida você tem dois caminhos: reduzir seu padrão de vida ou aumentar a sua renda. Se a segunda opção ainda não é possível, talvez seja a hora de fazer algumas mudanças além das melhores decisões nas compras e economia na alimentação que já comentamos nos passos anteriores. Pode ser o caso de passos maiores, como ir para uma moradia mais barata, ter um carro mais econômico, ou até mesmo usar transporte público por um tempo. Defina o prazo para resolver a situação. Vai ser um sacrifício com data para terminar. É uma jornada com começo meio e fim, com algumas privações. Será preciso cancelar gastos não essenciais: ligar na instituição e dizer “Quero cancelar esse serviço porque estou reavaliando meus gastos”. Reavalie tudo que contratou, especialmente assinaturas. O que realmente é essencial para a sua família hoje? Se é essencial, checa concorrentes, liga para a empresa atual e diz que se não quiserem diminuir o valor, vai pedir a portabilidade ou cancelar o serviço. Tenha em mente de que tudo isso é temporário, até você reestabelecer seu equilíbrio financeiro. Foque em juntar os primeiros R$1.000,00 para nesse período de luta contra as dívidas não entrar em mais dívidas. Pode ser guardado em qualquer investimento seguro com liquidez diária, como um CDB LD de banco ou Tesouro Selic. 5) Conheça suas dívidas e parta para a negociação! Você sabe quanto deve para cada um dos seus credores em valores atualizados? É preciso saber o tamanho do rombo. Deixar de olhar os gastos não vai fazer com que eles desapareçam. E eu sei que você deve estar fugindo disso, mas agora é